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A Padroeira da Cidade

A devoção a Nossa Senhora da Penha de França continuava a levar paulistanos à igreja.

E, em determinados períodos, era a própria imagem que era transportada.

Como em 1768, quando um grande surto de varíola tomou São Paulo e a Câmara Municipal interveio para levar a imagem à Sé com intuito de fortalecer as rezas que pediam o fim da doença.

Reconhecendo a importância da Nossa Senhora da Penha de França para a cidade, a Câmara encaminhou requerimento às autoridades diocesanas elevando-a à padroeira da cidade de São Paulo. Em 1876, ocorreu a última ida da imagem para a Catedral.

A partir dessa data, foram retomadas as peregrinações à Igreja da Penha.

Os cortejos, que partiam do centro da cidade, chegavam ao bairro em maior número em 8 de setembro, quando se comemora a natividade da santa.

Um episódio com o padre Jacinto contribuiu para que aumentasse ainda mais a devoção. Ele se salvou de um acidente no Ribeirão Aricanduva e o episódio ganhou proporções milagrosas.

O propalado milagre levou à criação da sala de ex-votos, para acomodar as centenas de peças trazidas pelos fiéis em romaria, e acabou por conferir à Penha, em 1909, o título de santuário mariano, devido ao grande número de peregrinos que procurava a igreja.

A Matriz foi elevada a Santuário Episcopal, passando a ser designada Santuário de Nossa Senhora da Penha de França e, em 1934, sofreu uma grande remodelação para abrigar mais fiéis.

A Igreja Nossa Senhora Penha de França, já bastante descaracterizada de sua construção original, não mereceu tratamento como patrimônio histórico.

Em 1982, foi inclusive ameaçada de ser derrubada, tamanho o estágio de deterioração em que se encontrava. Mas a comunidade interveio e a igreja foi mantida, passando por uma drástica reforma.

Nessa época, já tinha perdido a condição de matriz para a Basílica Nossa Senhora da Penha de França, cuja pedra fundamental foi assentada em 1957.

Localizada no número 199 da Rua Santo Afonso, a basílica fica a duas quadras da primeira igreja.

Foi construída em razão do crescimento da comunidade e abriga a imagem original de Nossa Senhora, aquela que, segundo a lenda, teria escolhido o bairro como moradia definitiva. Edificação grandiosa, comporta 7 mil fiéis.

O herdeiro espiritual do precursor padre Jacinto Nunes Siqueira é padre Carlos Calazans, paulistano de 68 anos, que serve na paróquia da Penha há três décadas.

Ele atesta que, embora as romarias tenham cessado, a devoção se mantém, com os fiéis presentes às missas todos os domingos.

Em 16 de junho de 1802, foi fundada a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída por escravos negros com dinheiro de esmolas, para que pudessem freqüentar uma igreja sem sofrer a segregação religiosa.

Recém trazidas da África, as levas negreiras causavam temor em muitas famílias, pois se dizia que os negros traziam consigo a varíola. Nas primeiras décadas do século 18, as autoridades paulistanas conseguiram estabelecer um acordo com os comerciantes de escravos: que os negros ficariam em quarentena antes de entrar na cidade.

Esse período de espera era feito no Caminho da Penha.

Diante de sua importância para a região e da manutenção de sua estrutura de taipa de pilão, a igreja foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), em 1982.

As manifestações religiosas se mantiveram ao longo dos anos. Embora com menos entusiasmo do que no passado, o dia 8 de setembro é, todos os anos, comemorado na comunidade.

Até meados de 1970, na Avenida Celso Garcia havia o desfile de carros que passavam apinhados de gente rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

Nos arredores da igreja eram armadas barracas de guloseimas.

Os devotos compravam muitos santinhos e medalhas, levados depois para o vigário benzer. Mas ali também se instalavam jogadores profissionais, com roletas, vísporas e outros jogos da época.

A festa da padroeira de 1967, quando o bairro completava 300 anos, foi particularmente luminosa.

Na ocasião houve a inauguração da iluminação a mercúrio da Rua Santo Afonso, local da basílica, e da Praça Nossa Senhora da Penha, onde fica a igreja original.

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