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Clube Esportivo à Beira Rio

O Clube Esportivo da Penha (CEP), cuja existência está intimamente atrelada ao rio que corta a região,é uma instituição que faz parte da vida dos penhenses desde 1930.

Com 12 mil sócios e localizado no centro do bairro, tornou-se ponto de referência. Em uma região em que quase não há árvores, abriga 160 mil metros quadrados de área verde.

“Temos aqui pelo menos 10 mil árvores”, diz Affonso Lenzi, presidente do clube desde 1993.

Pelo menos dentro das dependências do clube, o ideal proposto por Ivanov é realidade.

E já foi melhor quando o Tietê adentrava o CEP.

O clube surgiu pelas mãos de um grupo de dissidentes do “Regatas da Penha”, liderados por Plínio Augusto de Camargo.

Na época, a sede resumia-se a uma quadra de esportes e a um galpão com vestiário.

Mas logo voltou-se para sua vocação natural: as atividades aquáticas.

Com o Rio Tietê margeando o clube, o penhense passou a ter uma gama de atrações: o cocho (piscinas naturais flutuantes), trampolins, passeios de barcos, prática de remo e competições na água.

O clube destacou-se nos esportes aquáticos até a década de 1950, com campeonatos, como o famoso “Volta da Penha a Nado”, do qual participaram atletas como João Havelange.

E o clube investia também em esportes terrestres.

Em 5 de abril de 1931, acontecia a primeira Volta da Penha, disputada por 106 corredores.

Por volta de 1953, o traçado do Tietê foi mudado.

A “praia” foi afastada e o CEP se viu seriamente ameaçado. Com o desvio do rio, o clube perdera seu maior atrativo e, conseqüentemente, quase todos os sócios.

Então, dirigentes como Ferruccio Michelotto e João Antonio Sanches Conessa, conduziram campanhas para conseguir atrair sócios e manter vivo o clube.

E começaram um plano de arborização da área, antes ocupada pelas atividades ligadas ao rio, que resultou no espaço ecológico queé hoje.

É dessa época também o ginásio – que até meados dos anos 80 sediou competições esportivas internas, foi palco dos carnavais penhenses e de parte da vida social do bairro.

O último recurso para atrair sócios foi a construção de piscinas.

Com as reformas, voltaram os sócios. Na nova fase, começou-se a praticar boxe, atletismo, basquete e bocha.

Hoje, há também locais para a prática de tamboréu (jogo em que se utiliza pandeiro e peteca ou, às vezes, pequena bola de borracha), 12 quadras de tênis, 3 campos de futebol, ginásio com quadras poliesportivas (futebol de salão, vôlei, basquete, handebol), pista de patinação, ginásios de bocha e malha, balneário com cinco piscinas, entre outras áreas.

As atividades sociais aumentaram com a construção de outros salões de festas.

De herança do Tietê, sobrou a lagoa,às margens da qual os penhenses ainda pescam e fazem piqueniques nos fins de semana de sol.

Até o final do século 19, a Penha aparecia nos mapas de povoamento como uma freguesia distante do centro de São Paulo, ficando clara a existência de um enorme descampado entre o bairro e a cidade.

Para percorrer essa distância de cerca de dez quilômetros, hoje existe metrô, algumas linhas de ônibus, além das vias Radial Leste e Marginal Tietê, para quem vem de carro.

Mas naquela época, andava-se a pé, a cavalo ou nos bondes, pelo Caminho da Penha (Avenida Rangel Pestana, continuada pela Celso Garcia).

Existiam, então, os bondes alimentados a vapor e os puxados por parelhas de burros, que entraram em circulação a partir de 12 de outubro de 1872.

Em 1889, funcionavam várias linhas por tração animal. Quatro companhias exploravam o transporte.

A de Rudge Ramos foi a que obteve autorização para operar a linha Penha.

Durante muitos anos, os penhenses, os grandes proprietários rurais do bairro, visitantes e devotos de Nossa Senhora da Penha de França tinham por meio de transporte o bonde puxado por burros, cujo ponto final era local onde hoje funciona a estação Penha do metrô.

Os mais modestos subiam a pé a ladeira até a igreja, enquanto os endinheirados completavam o percurso a cavalo ou tílburi – pequeno carro de duas rodas e dois assentos, sem boléia, com capota, e tirado por um só animal.

A primeira linha de bondes elétricos, operada pela São Paulo Tramway Light and Power Company Limited (antiga Light), partia da Barra Funda para o centro da cidade, e foi inaugurada em sete de maio de 1900.

A linha que chegava ao centro da Penha surgiu em janeiro de 1901. Na época, também foram beneficiados com linhas elétricas os bairros de Ipiranga, Santana e Pinheiros. De 1930 a 1950, funcionou a linha Largo do Tesouro-Praça 8 de Setembro.

A partir de 1950, havia a Praça da Sé- Praça 8 de Setembro. Em 1960, surgiu a linha Penha-Lapa.

O chamado Bonde para Operários carregava passageiros espremidos em duros bancos de madeira. Além de trabalhadores da indústria, transportava verdureiros da Penha que vendiam suas hortaliças no Mercado Municipal.

Os bondes, em virtude das dezenas de paradas e da proverbial cortesia de motorneiros e cobradores, acabaram ficando marcados pela morosidade.

A linha seis da Penha favoreceu o processo de urbanização das regiões que ladeavam a ex-Estrada da Penha, como Brás, Belém e Tatuapé.

Tal foi a procura pelo bonde da Penha, que ninguém mais se interessou pelo trem Ramal Penha da Estrada do Norte, que parou de circular em 1904 por falta de usuários.

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