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Espaço Público Mal Cuidado

No Largo do Rosário, onde fica a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, tombada pelo patrimônio histórico, Ivanov aponta que o tombamento “não tem raio de influência”.

Ou seja, a igreja, com suas paredes de taipa preservadas, possui um entorno com construções visivelmente deterioradas.

“É fundamental que os comerciantes locais, as entidades de classe e os moradores se reunam e passem a cobrar melhorias do poder constituído”, incentiva.

“A Penha funciona como porta de entrada da zona leste, sendo um fantástico eixo de comércio e serviços e precisaria ser melhor cuidada.”

Esse é um dos pontos particularmente caro aos organizadores da Viva o Centro da Penha, cuja carta de intenções diz que “a qualidade do espaço público é requisito básico para o pleno exercício da cidadania e a identidade desse centro, do bairro da Penha, resultará de um processo no qual os valores do seu patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e econômico serão percebidos pelos cidadãos.”

Entre os mais ativos membros da associação está Eugênio Cantero, dono do jornal Gazeta Penhense. Presente em todas as reuniões, palestras, agremiações, festas e acontecimentos, ele justifica na profissão sua onipresença:

“Vou a todos os lugares por obrigação do ofício: preciso ficar informado”.

Mas a atuação de Eugênio, conhecido na região como “Geninho”, vai além da tarefa de se manter informado.

Ele usa seu jornal para fazer campanhas em prol das famílias que perderam bens com enchentes, ajuda a arrecadar verbas para a festa da padroeira, integra comissões que estudam melhorias para as ruas do bairro e até escreveu uma singela carta exaltando as qualidades dos poemas de Elisa Barreto, para ajudar na campanha da poetisa que reivindica o Prêmio Nobel da Paz.

Francisco Folco, 52 anos, dono da escola de artes Viveka, é o guardião das imagens da Penha.

Sempre foi interessado na história do bairro, onde mora desde criança, e em 1997 começou sua carreira como historiador amador.

Ao fazer um registro fotográfico da arte sacra da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, que teve suas paredes e tetos pintados por seu avô, Alfredo Cespi, encontrou em seu interior uma coleção de fotos exibidas no terceiro centenário do bairro, em 1968.

Organizadas por Hedemir Linguitte, antigo morador, as imagens estavam em péssimo estado de conservação.

“Estavam sujas, mofadas, com manchas de água de chuva e algumas até rasgadas”, conta ele.

Ao perceber o valor histórico do achado, Folco iniciou um trabalho de recuperação das imagens, utilizando recursos digitais.

“Levei três anos, mas consegui recuperar cada detalhe das fotos”, diz.

Com o material em mãos, Folco montou um CD-Rom,“Retratos da Penha”, que traz 421 imagens do bairro, desde 1905 até os dias de hoje. Ele vende o CD-Rom por R$ 20 e destina o lucro obtido a patrocínio de eventos culturais no bairro da Penha.

O material fica à venda na Viveka – Escola de Arte e Criação, na Rua Betari, 560, Penha, São Paulo, telefone (11) 294-6833.

O ator Marcos Winter nasceu e cresceu no bairro da Penha.

Hoje vive no Rio de Janeiro, atua em televisão, teatro e cinema, além de coordenar a organização não-governamental Movimento Humanos Direitos, que luta pelo fim do trabalho escravo no Brasil.

A última aparição do ator na tevê foi na série Um Só Coração, no papel do jornalista Luís Martins, com quem Tarsila do Amaral (Eliane Giardini) fica casada durante boa parte da trama.

Marcos César Simarelli Winter não é apenas um penhense famoso, mas um paulistano apaixonado.“Adoro São Paulo e sempre que posso volto à cidade”, diz.

Sua mãe, Odete, de 75 anos, ainda mora em uma casa da Rua João Ribeiro, uma das vias mais movimentadas do bairro, principalmente depois de 1992, com a abertura, no número 304, do Shopping Center Penha.

“Minha memória sobre a Penha é muito vasta”, afirma o ator. “Passei a maior parte da vida lá”.

Atualmente com 37 anos, ele morou no bairro até os 20.

“Lembro muito vividamente de brincar de esconde-esconde no clube esportivo: o esconderijo podia ser em qualquer lugar do clube, o que fazia o jogo durar o dia inteiro”.

Da adolescência, Winter diz ter guardado lembranças ainda melhores.

“Ah, como eram boas aquelas brincadeiras de moleque maior… quando freqüentava a parte de baixo do campo de futebol para dar os primeiros beijos”.

Conhecido pelos amigos de infância como “Macarrão”, ele diz adorar ser chamado pelo apelido, por remetê-lo à época em que “andava tranqüilo pelas ruas da Penha com meus amigos, ia para o colégio e para a balada, e a vida era simples e gostosa”.

Ele estudou na escola estadual da Penha e no grupo escolar Santos Dumont, tradicional colégio do bairro, cursando depois Educação Artística na faculdade São Judas, na Mooca.“Antes de mudar para o Rio de Janeiro, me mantive na Zona Leste de São Paulo.”

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