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Expansão Comercial e Imobiliária

Nos anos seguintes, a Penha teve grande desenvolvimento e foi iniciada uma expansão imobiliária, com prédios tomando o lugar das antigas chácaras.

O bairro residencial foi se transformando em um centro comercial para Zona Leste da cidade, possuindo além das já tradicionais lojas de rua, o Mercado Municipal, um shopping center inaugurado em 1992 e muitos vendedores ambulantes, cuja presença é motivo de eterna desavença com os comerciantes locais.

Nas imediações da igreja, prosperaram desde cedo as lojas de artigos religiosos.

A zona comercial circunscrevia-se à Rua da Penha (atual Avenida Penha de França), Rua Dr. João Ribeiro e Praça 8 de Setembro.

Depois de 1930, o comércio penhense incrementou-se rapidamente, transformando o bairro em importante núcleo comercial, servindo não só à sede do distrito como às vilas satélites.

De 1940 a 1950, abriram as portas na Penha diversos grandes magazines como Rivo, Garbo, Ultralar, Singer, Eletro, Pernambucanas, Riachuelo, entre outros. Grande parte das lojas existe até hoje.

Muitas diversificaram os negócios, vendendo de velas a prendedores de roupas, de móveis a chinelos de plástico. Ao longo da Avenida Penha de França, é notória a presença de bazares de comércio popular, principalmente aqueles em que os artigos custam R$ 1,99.

Paralelo ao aumento de estabelecimentos comerciais, crescia a população ali estabelecida.

As antigas chácaras foram dando lugar a prédios e residências menores.

A rapidez da expansão imobiliária é uma das explicações para a notória falta de áreas verdes do bairro.

“Quase todas as árvores existentes estavam plantadas dentro das chácaras particulares. Os novos proprietários as derrubavam para aumentarárea vendável de seu empreendimento. Como não havia preocupação do poder público em fazer praças e parques, o bairro acabou ficando com escassa aérea verde”, explica o engenheiro José Donato Feola, estabelecido na região desde 1945.

O começo dos anos 70 foi pródigo para a cultura no bairro.

A Biblioteca Municipal Guilherme de Almeida, no largo do Rosário, com acervo de 37.600 livros, foi construída após um abaixo-assinado que reuniu 50 mil assinaturas.

Ainda em 1970, o bairro ganharia a Casa de Cultura da Penha e o Teatro Martins Pena.

Na década de 1980, as transformações ocorreram principalmente na área imobiliária.

O bairro começou a se verticalizar, com o surgimento de muitos prédios residenciais e comercias, além de condomínios fechados.

A paisagem da Penha chegou modificada aos anos de 1990.

O outeiro, antes marco indiscutível na topografia, começava a ser escondido pelos prédios.

Em 1992, a inauguração do Shopping Center Penha traria novo fôlego à região.

“O shopping foi uma das melhores coisas que aconteceram para a Penha: no local onde antes havia uma indústria metalúrgica poluente, agora temos um centro de compras que cuida dos arredores”, elogia Francisco Folco.

O comércio e os serviços são as principais atividades econômicas na região, que hoje conta com boa infra-estrutura nas áreas de saúde e educação, com nove escolas estaduais 13 particulares.

Há dez postos de saúde, um hospital (Hospital Nossa Senhora da Penha, inaugurado em 25 de janeiro de 1954). Está prevista para os próximos anos a inauguração do Campus Leste da Universidade de São Paulo.

O bairro tem atualmente 117.691 habitantes, de acordo com dados do censo de 2000 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, a região perde, a cada ano, 0,93% de sua população. A causa do êxodo seria a busca por melhores oportunidades em outras regiões e até em outras cidades.

“Apesar das melhorias que tentamos implementar, a Penha precisa de mais investimentos para conseguir manter a população jovem aqui”, defende o ex-subprefeito Luiz Barbosa de Araújo.

O comércio é o principal motor da vida econômica na Penha atualmente.

No passado, predominavam as lojas de velas e artigos religiosos. Hoje conta com um total de 2.862 estabelecimentos de todos os tipos, que vendem de roupas finas a artigos de R$ 1,99.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levantados no censo de 2000, o comércio lidera a lista daqueles que mais empregam na região, respondendo por 7.870 empregos efetivos.

Assim como em grande parte dos centros urbanos do País, apenas os serviços oferecem número semelhante de postos de trabalho, com 7.831 empregados.

A indústria vem em seguida: são 6.466 pessoas trabalhando nesse ramo.

Uma das primeiras fábricas a se instalar na região foi a Nova Vulcão, empresa local há mais tempo cadastrada na Associação Comercial de São Paulo, associada há 70 anos.

Fundada em 1924, com o nome de fábrica Vulcão, pelo alemão Carlos Müller na Rua das Palmeiras, três anos depois já precisou de uma sede maior e se mudou para a Rua Joaquim Marra, na Vila Matilde, onde funciona até hoje.

Entre os diversos imigrantes empregados, estava Guilherme Borgiani, italiano que se revelou excelente vendedor e acabou sendo um dos responsáveis pelo crescimento do mercado no interior de São Paulo na década de 1940.

Com base em Campinas, ele chegou a responder por 80% do total de vendas da empresa.

Em 1954, Müller decidiu se desfazer dos negócios e Borgiani comprou a Vulcão.

O ex-funcionário que passou a patrão diversificou a linha de produtos e estabeleceu novos conceitos.

Em 1963, Guilherme transferiu a direção da fábrica para o filho Sérgio e o genro Alberto Giorgi, que a rebatizaram de Nova Vulcão.

Ambos dirigiram juntos a empresa até 1995, ano em que morreu Giorgi. Desde então, sua mulher, Sônia Borgiani, assumiu o lugar do marido na fábrica.

Nos anos 70, a Nova Vulcão fez clientela dentro do mercado industrial, investindo em desenvolvimento de produtos específicos e sob encomenda.

A área se tornou a principal desde então, com a produção de tintas e vernizes especiais para máquinas industriais e agrícolas.

A Nova Vulcão segue o modelo de administração familiar característico, mas se mantém atenta ao mercado.

“Procuramos nos atualizar sempre, porque no nosso ramo as novidades aparecem a todo instante”, diz Sérgio Borgiani, hoje no cargo de presidente.“Nossa propaganda é boca a boca: sempre funcionou assim”, sustenta ele. “Fomos a primeira empresa nacional de tintas a ter a certificação ISO 9.000.”

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