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Limites e Vizinhança

O bairro é limitado pelo Ribeirão Aricanduva, estendendo-se até São Miguel Paulista e, do outro lado, até Guarulhos.

Essa proximidade foi a principal razão para a lei provincial de 1880, que anexava a Penha ao município de Guarulhos.

A população não gostou e exigiu a reintegração a São Paulo, que ocorreu em maio de 1886.

A partir da igreja, localizada no alto do outeiro, começaram a se traçar aquelas que são hoje as ruas mais movimentadas da Penha.

A capela definiu as duas principais vias públicas do bairro.

A rua de baixo, foi durante algum tempo chamada simplesmente de Rua, depois Rua Direita, Rua Campos Sales e hoje é a Avenida Penha de França.

À frente, a Rua do Meio, que hoje é Comendador Cantinho.

E a Rua de Cima é a atual João Ribeiro.

O trajeto para se entrar ou atravessar o bairro continuava a ser feito pela Estrada da Penha – atuais avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia.

Durante muito tempo, essa rota serviu não apenas a fiéis, viajantes e sertanistas, mas também para a circulação de mercadorias e de comércio de animais.

A privilegiada topografia da Penha teve parte importante na sua história e no desenvolvimento da economia.

Com 1.500 metros de altitude, a Penha começou a ser procurada no início do século 20 por famílias endinheiradas em busca de ares mais saudáveis, recomendados pelos médicos para recuperação de doenças respiratórias.

Alguns compravam chácaras na região e instalavam ali suas casas de veraneio, outros decidiram por se mudar para o local. Muitos trocaram suas mansões dos Campos Elíseos pela Penha.

Uma das senhoras da aristocracia paulistana a migrar para a Penha foi Dona Carlota de Melo Azevedo, que possuía várias chácaras na região.

E o primeiro telefone do bairro foi o instalado em sua residência.

Também em razão de sua geografia, a Penha seria o local de pouso, em 1822, do então príncipe regente D. Pedro I, que vinha do Rio de Janeiro.

Segundo o livro A capital da Solidão – Uma história de São Paulo das Origens a 1900, de Roberto Pompeu de Toledo (Editora Objetiva, 2003), ele deixou o Rio no dia 14 de agosto, parando com sua comitiva para pouso em várias cidades doVale do Paraíba.

“No décimo dia de viagem, 24 de agosto, chegaram ao arrabalde da Penha, de onde se tem uma vista de São Paulo, lá longe, com as pontas das torres das igrejas recortando-se contra o céu. Ali acamparam”.

No dia seguinte, ele assistiu a uma missa na igreja matriz e só então seguiu viagem para São Paulo, onde duas semanas depois, no dia 7 de setembro, proclamaria a independência do Brasil, não muito longe dali, às margens do Riacho Ipiranga.

Em 1886, foi a vez de D. Pedro II e da Imperatriz visitarem o bairro.

Foram recepcionados pelas autoridades locais, pelo vigário da paróquia padre Antônio Benedito de Camargo, pelo Coronel Rodovalho e professores e alunos de escolas locais.

Anos mais tarde, aconteceria mais do que a simples visita de um governante: a Penha chegou a funcionar como sede do governo paulista.

Em julho de 1924, com a revolta tenentista, os rebeldes ocupam a cidade durante quase um mês, pedindo o fim do poder das oligarquias, reivindicando moralização do governo, voto secreto e independência do poder legislativo.

O presidente de São Paulo (título do governador, na época), Carlos de Campos, refugiou-se na Penha e usou o posto policial no Largo do Rosário para despachar durante a revolução de 1924.

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