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As Origens da Penha

Em sua certidão de nascimento, o bairro faz 352 anos de idade em 2019.

Data de fevereiro de 1667 a fundação da Igreja Nossa Senhora da Penha de França, construção que deu oficialmente início à região.

O povoamento, porém, começou bem antes.

As primeiras referências históricas são de 1532, quando se estabeleceram nos campos do Ururaí (hoje pertencente ao Tatuapé) os primeiros moradores, com posse de sesmarias.

O historiador Sylvio Bomtempi, em seu livro Penha Histórica (editado pela Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2001) relata que em 1560 o padre José de Anchieta nomeou o local, então uma aldeia de índios catequizados, como São Miguel de Ururaí.

Vinte anos mais tarde há registro de que aos religiosos foi cedida outra sesmaria.

Segundo Maria Cândida Vergueiro Santarcangelo, no livro Penha de França 1668-1968, também a primeira igreja da Penha pode ter sido construída mais cedo do que a data oficial indica.

“Muitos moradores deixavam a vontade expressa de serem sepultados na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, como era costume de outrora. Alguns testamentos datavam da primeira metade do século 17, o que faz supor que a capela tenha sido erguida entre 1630 e 1650”.

Curiosamente, permanece gravada no pórtico de entrada da igreja a data 1682. De acordo com Bomtempi, essa inscrição foi feita na reforma de 1937. “Nessa época, não haviam documentos que comprovassem a verdadeira data de fundação”, explica.

“Hoje se poderia corrigir essa inexatidão”.

A construção foi obra do padre Jacinto Nunes de Siqueira, que a ergueu no local da antiga capela.

A matriz não apenas tornou- se o marco inicial da Penha, mas também ajudou a região a prosperar.

O próprio padre, ao morrer, legou suas propriedades à igreja.

Em 1684, a abertura de seu testamento revelou que ele deixara para a paróquia, além das terras que ficavam “pegadas ao ribeirão ari-Candivay”, atual Aricanduva, a casa em que morava, cinqüenta vacas, a quantia de quinhentos mil réis e doze índios “que não são senhores de toda a sua liberdade”.

Existem diversas versões para a origem do nome da santa que o viajante francês levava.

Uma delas diz que nasceu na França, como“Notre Dame de France”, próximo aos grandes montes, sendo chamada Nossa Senhora do Monte.

Assim, no Brasil tornou-se Nossa Senhora da Penha. Segundo o dicionário, Penha significa “grande massa de rocha isolada e saliente”, “penhasco” ou “penedo”.

Os devotos começaram a vir de São Paulo, de outras cidades e até de outros Estados.

E não apenas rezavam na igreja, mas também, a exemplo do padre Jacinto, legavam parte de seus bens a Nossa Senhora da Penha de França.

O padre assinava recibos das doações recebidas. Com base neles, pode-se concluir que a igreja não tinha problemas financeiros na época.

Entre os que procuravam índios para gerar mão-de-obra escrava, destaca-se a atuação do bandeirante seiscentista Domingos Leme, possuidor de sesmarias recebidas, em 1643, do capitão-mor Francisco da Fonseca Falcão.

Outro desbravador radicado na região foi Amador Bueno da Veiga, dono de muitas terras desde Guarulhos até a Penha, ao longo do Vale do Rio Tietê. Hoje, dá nome a uma avenida que corta o bairro.

No dia 15 de setembro de 1796, a Penha foi elevada à categoria de freguesia, integrando regiões que atualmente formam os bairros Guaianases, São Miguel, Ermelino Matarazzo e Vila Matilde.

Texto de Lúcia Helena de Camargo
Publicado no Jornal do Comercio em 2004.

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