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Os Primeiros Ônibus

Nesse período de tráfego de bondes elétricos, surgiram também empresas de ônibus.

Os coletivos fizeram sucesso e se expandiram extraordinariamente.

Os primeiros funcionaram em 1925, e em 1930 já haviam 400 carros para atender a uma população de 890 mil habitantes. Em 1934, existiam 700.

Atualmente, segundo estatísticas da SPTrans, cerca de 5 mil ônibus transportam 85% dos paulistanos.

Os bondes elétricos operaram na Penha até abril de 1966.

Com a desativação do sistema de bondes, as empresas particulares aumentaram gradativamente sua participação na operação de linhas de ônibus, e foi criada a Secretaria Municipal dos Transportes.

Em 1968, os bondes pararam de circular em toda a cidade de São Paulo.

Hoje, operam na Penha diversas empresas de ônibus, entre elas a Empresa Auto Ônibus São Miguel, Empresa de Auto Ônibus Vila Esperança, Viação São José, Viação Urbana Penha, Empresa de Ônibus São Geraldo, Empresa de Ônibus Guarulhos.

A empresa de ônibus Leste- Oeste ficou conhecida por Penha-Lapa, em razão da famosa linha que já foi a mais extensa da cidade.

A frota de ônibus que serve o bairro é de 770 veículos, com 60 linhas, atendendo a 49 vilas. Dessas linhas, 37 se destinam ao centro da cidade. Em média, essas empresas transportam 500 mil usuários da região diariamente.

O metrô Penha, inaugurado em 31 de maio de 1986, facilitou a vida dos penhenses.

Segundo estatísticas da Companhia do Metropolitano de São Paulo, 20 mil passageiros por hora usam a estação nos horários de pico, diariamente.

O metrô Penha, no entanto, não chega ao centro do bairro.

Por esse motivo, um grupo de comerciantes e técnicos elaborou o projeto para a nova estação de trem, dentro da malha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que seria construída ao lado do terminal de ônibus, este localizado no alto da ladeira da Penha, ao lado do Mercado Municipal.

“Esse projeto, se implementado, vai devolver aos penhenses algo que já se tinha no início do século: um trem chegando ao centro do bairro, pois no começo do século 20, o bonde deixava os moradores em plena avenida Nossa Senhora Penha de França; o metrô só chega até o sopé do monte”, aponta o professor Francisco Folco, estudioso da história da Penha.

Com intuito de recuperar marcos históricos, construções e a tradição do bairro, um grupo de penhenses organizou a entidade Viva o Centro da Penha.

O idealizador e entusiasta do projeto é Manuel Gonçalves, 46 anos. Português de nascimento, depois de 34 anos morando no Brasil, sempre cidade de São Paulo, diz ter se tornado “paulistano por adoção e penhense histórico, patriótico e convicto”.

Dono da Arte Flora, loja de flores e presentes que nasceu há 33 anos como Floricultura Nossa Senhora da Penha, Gonçalves organizou em janeiro deste ano a primeira reunião para tratar do assunto.

Conselheiro da Distrital Penha da Associação Comercial, ele conseguiu reunir moradores e seus colegas comerciantes, entre eles o engenheiro José Donato Feola e o jornalista Eugênio Cantero.

A Associação Viva o Centro da Penha divulgou em fevereiro um documento no qual afirma que seu objetivo é “promover o desenvolvimento da área central do bairro Penha de França e de seus aspectos urbanísticos, culturais e econômicos, a fim de transformá-lo num grande, forte e eficiente centro, que contribua para o equilíbrio econômico e social e o bem estar da população.”

O arquiteto Edison Ivanov, que fez vários estudos sobre a região, aplaude a iniciativa.

Professor do Senac São Paulo na área de urbanismo, Ivanov tem algumas propostas para melhorar o centro da Penha e com isso diminuir o êxodo constatado nas últimas contagens de população. Segundo o censo de 2000 feito pelo IBGE, a Penha perde todo ano 0,93% de sua população.

“Nos últimos anos, o comércio ambulante, o trânsito maluco, a falta de segurança e de equipamentos de lazer e cultura, levaram ao êxodo de mais de 50% de sua população original. É preciso retomar a moradia nestas áreas”, defende.

Em um passeio pelo centro do bairro, o urbanista apontou problemas e sugeriu soluções.

“As construções estão poluindo cada vez mais, com todas essas placas, luminosos, fachadas sem cuidado: o visual desagrega valor à região”, disse sobre a disposição das lojas ao longo da principal avenida, a Penha de França.